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"Estou surpreso", diz Obama após ganhar Nobel da Paz

Durante pronunciamento na Casa Branca nesta sexta-feira (9), o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse estar "surpreso" e "honrado" com o Prêmio Nobel da Paz 2009, anunciado nesta manhã.
O presidente afirmou que não vê o prêmio como um "reconhecimento" das realizações dele, mas sim um reconhecimento dos objetivos que ele direcionou para os Estados Unidos e o mundo. "Não sinto que mereço estar em companhia de tantas outras figuras transformadoras que já foram honradas com esse prêmio", resumiu o presidente.
Obama disse ainda que aceita o prêmio como um chamamento para combater problemas mundiais, entre eles, a luta contra as mudanças climáticas e o conflito entre palestinos e israelenses.
Obama venceu o Nobel da Paz por seus esforços para reduzir os estoques de armas nucleares e por seu trabalho pela paz mundial.
Primeiro presidente americano de origem africana, Obama também trabalhou para reiniciar o estagnado processo de paz no Oriente Médio desde que assumiu o cargo, em janeiro deste ano.
Europeus parabenizam; taleban e Hamas criticam
Apesar das críticas do taleban no Afeganistão e o Hamas, a premiação de Obama foi elogiada por líderes europeus e árabes, que parabenizaram o presidente dos Estados Unidos. O Irã, rival histórico dos americanos, não criticou a premiação, mas não chegou a elogiar.
O comitê também citou os "esforços extraordinários" de Obama para "fortalecer a diplomacia e a cooperação entre os povos". O prêmio no valor de 10 milhões de coroas suecas (US$ 1,4 milhões) será entregue em Oslo, a capital da Noruega, em 10 de dezembro, data que coincide com a conferência internacional sobre o clima de Copenhague.
O anúncio causou surpresa. Além de Obama, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, era um dos candidatos, mas ambos não eram tidos como favoritos.
Obama é o terceiro presidente americano em exercício a receber o prêmio Nobel da Paz, depois de Theodore Roosevelt (1901-1909), agraciado em 1906, e de Woodrow Wilson (1913-1921), vencedor em 1919. Além disso, Jimmy Carter recebeu o Nobel da Paz de 2002, 20 anos depois de seu mandato (1977-1980).
As indicações são feitas por milhares de pessoas de todo o mundo, tais como parlamentares, ministros, ganhadores de anos anteriores, professores universitários e membros de organizações internacionais.Os nomes são mantidos em segredo pelo comitê, mas alguns acabam vazando.
Para a edição deste ano, foram 205 indicados, entre pessoas e organizações. "Trata-se de um número recorde, depois de 2005, quando foram apresentadas 199 candidaturas", informou o diretor do Instituto Nobel, Geir Lundestad.
O novo secretário do Comitê Nobel, Thorbjorn Jagland, disse que a defesa das instituições internacionais para resolver conflitos de forma pacífica foi decisiva ao longo da história do prêmio.
Lista completa dos vencedores
Ao conceder o Nobel da Paz ao "visionário" Obama este ano, o comitê pretende "reforçar" a diplomacia e as instituições internacionais e enviar um "sinal claro" ao mundo, explicou Jagland, na entrevista coletiva posterior ao anúncio do inesperado ganhador.
"Durante 108 anos, o Comitê Nobel Norueguês buscou estimular precisamente essa política internacional e essas atitudes das quais Obama é agora o novo porta-voz mundial", destacou a decisão.
Obama estava entre os 205 candidatos ao prêmio, mas quase não tinha sido mencionado, especialmente porque está a menos de nove meses no cargo.
Frente a ele, havia candidatos de anos de reconhecida trajetória, como o dissidente chinês Hu Jia; o primeiro-ministro do Zimbábue, Morgan Tsvangirai, e a colombiana Piedad Córdoba, que apareciam como os principais favoritos ao Nobel da Paz.
Além disso, o prazo para apresentar candidaturas fecha sempre no início de fevereiro, ou seja, menos de um mês depois de Obama assumir seu cargo de presidente.
Jagland rejeitou qualquer crítica, ao lembrar que o Comitê Nobel premiou antes pessoas que iniciaram processos políticos em nível mundial, e citou como exemplos o ex-chanceler alemão Willy Brandt e o ex-presidente soviético Mikhail Gorbachov, agraciados respectivamente em 1971 e em 1990.
O Comitê Nobel ressaltou, em sua decisão unânime, que a visão de um mundo livre de armas nucleares de Obama "estimulou poderosamente as negociações de controle e desarmamento".
"Uaauu!", diz Casa Branca
A surpresa que causou hoje em Washington a concessão do Prêmio Nobel da Paz ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ficou clara na primeira reação extra-oficial do porta-voz da Casa Branca que, bombardeado com e-mails de madrugada, se limitou a responder: "Uaauu!". Essa foi textualmente a primeira resposta do porta-voz presidencial, segundo disse às seis da manhã o correspondente perante a Casa Branca da da rádio local WTOP.
Os Estados Unidos prometeram ratificar o Tratado de Proibição Total de Testes Nucleares, mas ainda não fez isso, como também não se uniu ao tratado para proibição das bombas de fragmentação, assim como os outros principais produtores de armas, como Rússia e China.
Além disso, Obama se comprometeu também a fechar a prisão de Guantanamo, apesar de a Casa Branca parecer ter renunciado à data limite de janeiro de 2010, inicialmente fixada.
A presença ativa dos Estados Unidos em guerras como a do Afeganistão contrasta com a vontade de Alfred Nobel, criador dos prêmios, de agraciar os que promovem a paz.
"Espero que o prêmio ajude a resolver a situação no Afeganistão", respondeu Jagland, que disse que o comitê não telefonou a Obama para dar a notícia "para não acordá-lo".
No ano passado, o prêmio Nobel da Paz foi entregue ao ex-presidente da Finlândia Martti Ahtisaari, que esteve envolvido em várias negociações de conflitos como o de Kosovo e Iraque.
Em 2007, o prêmio foi para ex-vice-presidente americano e ativista Al Gore, juntamente com o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas.
Um ano antes o escolhido foi o bengalês Muhammad Yunus, pioneiro na implementação do microcrédito para pessoas em extrema pobreza (2006).
* BBC e agências internacionais
