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Oprah Winfrey, a mais poderosa do showbiz

A revista norte-americana "Hollywood Reporter" divulgou nesta semana a lista das 100 mulheres mais poderosas do showbiz. Como era de se esperar, Oprah Winfrey segue na primeira posição, seguida por uma série de presidentes e diretoras de várias produtoras e empresas do ramo do entretenimento norte-americano, até chegar na 24ª, que é posição ocupada por Angelina.
* Ela foi a atriz mais poderosa de 2008. Tudo por conta da arrecadação de seus filmes lançados durante o ano, que renderam mais de um bilhão de dólares. Atrás dela vêm outras atrizes como Julia Roberts, Reese Whiterspoon, Tyra Banks e Tina Fey, entre outras.

Negros e violência

Foto: Danny R. Hahlbohm
O professor Sérgio Adorno, do Núcleo de Estudos da Violência da USP, há vinte anos vem pesquisando processos na justiça de São Paulo. Entre 1984 a 1988, num fórum de um bairro popular de São Paulo, a Penha, constatou que os negros que representavam 24% da população, participavam com 48% das condenações. Os nordestinos, que são em torno de 18% da população, respondiam por 27% das condenações. Cerca de 5% da população são aqueles cidadãos sem profissão, os chamados biscateiros, que a "justiça" chama de pessoas com "ocupação mal definida". De cada 100 condenados, 35 estavam nessa situação. Outro dado está na população carcerária do Brasil. O último levantamento do Ministério da Justiça indica que cerca de 65% da massa carcerária é de negros e 95% são pobres.
O professor Adorno analisou 500 processos criminais da Cidade de São Paulo, em 1990, e constatou que a maior parte dos réus, 38%, foi condenada por roubo qualificado, em que se usam meios violentos. Os negros são presos em fragrante com mais freqüência que os brancos, na proporção de 58% contra 46%. Isso sugere que recebem uma maior vigilância por parte da polícia. Constatou ainda que 27% dos brancos respondem ao processo em liberdade, enquanto só 15% dos negros conseguem esse benefício. Apenas 25% dos negros levam testemunha de defesa ao tribunal, que é uma prova muito importante, enquanto 42% dos brancos apresentam esse tipo de prova.
É fácil concluir dessa pesquisa do professor da USP que a questão racial tem mais peso do que a financeira. Os negros podem usar exatamente os mesmos direitos de um branco e ainda assim o resultado não será igual. 27% dos negros que contratam, segundo a pesquisa, são absolvidos; no caso dos brancos, a taxa de absolvição chega a 60%.
As condições em que os negros exercem sua cidadania precisam ser reconhecidas por todos como anômalas. Cálculos do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), de 1989, indicam que 44,2% da população brasileira, ou mais de 65 milhões de pessoas, são "pretos" ou "pardos" . No entanto, nas esferas de influência e de poder, a presença negra é restrita, para não dizer nula.
Apesar de o Brasil ter 65 milhões de negros há muitas injustiças contra eles como estamos vendo. Os negros são a maioria dos analfabetos, dos menores salários, nas prisões, nas favelas e nos subempregos e são minoria nas faculdades, entre os empresários, os heróis reconhecidos, os governantes, os bispos, generais, almirantes, brigadeiros e na mídia. Para corroborar essa afirmação, podemos citar Salvador, onde cerca de 60% da população é negra, mas quase não há negros na administração municipal.
A luta anti-racista
A luta anti-racista experimentou um crescimento sem precedente, tanto em função do fortalecimento das organizações autônomas, quanto pela multiplicação de entidades em todo o país, ou pelas novas formas de articulação e de expressão da militância em vários espaços, como por exemplo: locais de trabalho, organizações rurais, sindicatos, movimentos populares, partidos políticos, universidades, parlamento, mulheres negras, órgãos governamentais, entidades religiosas. Nestes âmbitos, devemos ressaltar principalmente as lutas das pastorais do negro da Igreja católica, que começaram com dom Paulo Evaristo Arns, dom Hélder Câmara e dom José Maria Pires, os pioneiros mais sistematizado contra a discriminação dos negros no Brasil, e que depois tomaram corpo em quase todas as dioceses.

"Os negros têm medo de ficar ricos", afirma
empresário em encontro na Amcham
Texto escrito em 2004, mas pertinente e cabe reflexão

Os negros têm medo de ficar ricos. Esse medo de ganhar dinheiro é herança da escravidão somada à tradição católica. "Falta aos negros o conceito de que têm direito à riqueza que existe no mundo; é bom ser rico."
As afirmações acima foram feitas pelo empresário Mário de Oliveira Filho, durante Encontro Afrobrasileiro e Afroamericano de Negócios, na Câmara Americana de Comércio (Amcham), nesta quarta-feira, em São Paulo. Para uma platéia 90% formada pela raça negra, Oliveira descreveu sua bem-sucedida trajetória profissional, que já o levou a ser capa da revista Veja. Advogado, ele teve sua formação inicial como torneiro mecânico – "igual ao presidente", ressaltou –, graduou-se em engenharia mecânica pela USP, direito pela PUC e fez pós-graduação na FGV.
"Defendo o lado mais prático da questão de que temos de investir para ganhar mais e aplicar mais", afirmou. A certeza de que os negros temem a riqueza baseou-se, segundo contou, nas contratações feitas para sua empresa, quando os negros apresentam dificuldades em explicar por que querem ganhar dinheiro. "Isso pode ser resolvido investindo obsessivamente em educação", observou. "Os movimentos negros devem ensinar os jovens a fazer dinheiro, porque você só é respeitado no futuro pelo seu acúmulo monetário." Oliveira participou da mesa "Estudos de casos de sucesso em desenvolvimento de negócios.
Lígia Ligabue, especial para a Ag. Repórter Social
